PARTE II: “Você sabe quem também tá no Twitter?”
A definição mais comum para o Twitter é de site de microblogging, já que permite que seus usuários (twitters) postem frases com até 140 caracteres (tweets) – contendo informações pessoais sobre o dia-a-dia, indicações de sites, links ou vídeos interessantes, críticas a política, sociedade, economia e organização urbana.
No livro Redes sociais na internet3, Raquel Recuero (@raquelrecuero) explica que o Twitter foi criado em 2006 por Jack Dorsey (@jack), Biz Stone (@biz) e Evan Williams (@ev) dentro de um projeto da empresa Odeo. Os textos a serem publicados são escritos a partir da pergunta “O que você está fazendo?” e a estrutura do sistema é baseada em seguidores (followers) e a escolha de pessoas a seguir. Também se pode mandar mensagens em privado para outros usuários e reencaminhar para seus followers um post publicado por outrem. É possível ainda definir se as intervenções serão públicas ou não.
Na edição de 28 de dezembro do caderno Link, do jornal O Estado de São Paulo, Pedro Doria diz em sua coluna que o Twitter é “a coisa mais importante a surgir na internet desde o Google”. Segundo ele, a grande inovação dessa rede social é representar “um enorme conjunto de pessoas em que se confia ao alcance de um clique”, todas elas selecionando e difundindo informação.
A característica do Twitter como mídia evoluída para troca de dados ajuda a explicar a atração exercida por perfis como o do treinador do Corinthians, Mano Menezes (@manomenezes). Com mais de 1,3 milhão de seguidores – o segundo maior no ranking brasileiro –, o técnico usa a ferramenta para passar informações em primeira mão sobre os treinamentos do time e até mesmo novas contratações.
O Twitter trabalha a favor de Mano Menezes, que, por sua condição profissional, costuma estar à mercê do noticiário esportivo. Diferentemente das celebridades da Caras, ele não encara essa mídia como mais um palanque de auto-afirmação, mas como uma plataforma de divulgação livre da mediação exercida pelo jornalismo.
O perfil do ex-músico do Los Hermanos Marcelo Camelo (@m_camelo) também prima pela difusão de informação aos fãs. Na própria descrição, a página deixa claro que os posts são atualizados pela equipe de produção do artista e que Camelo não usa o Twitter. Nas mensagens, datas de shows, vídeos com performances do músico e respostas a perguntas dos seguidores.
Ambos twitteiros, Mano Menezes e Marcelo Camelo, limitam sua experiência nessa rede social ao diálogo longínquo, sem usar a interação – uma das opções mais atrativas para novos membros. Cada um à sua maneira (Menezes, ao evitar responder a questionamentos de seguidores e Camelo, passando adiante a postagem de novos tweets), estão no Twitter da mesma forma que as celebridades globais estão na Caras: à distância e sem enfrentar riscos.
“O relacionamento entre celebridades e fãs é tipicamente mediado pela representação. (…) A mídia constitui o melhor canal de contato entre fãs e celebridades. Palco, tela, audiotransmissão e cultura impressa são os principais mecanismos que expressam os vários idiomas da cultura e da celebridade. Cada um pressupõe distância entre a celebridade e o público.” (ROJEK, 2008: 51)
Aderir ao Twitter sem aderir completamente a seus serviços não é exclusividade brasileira. O presidente norte-americano, Barack Obama (@barackobama), que inovou ao utilizar intensamente e de forma bem sucedida as redes sociais durante sua campanha eleitoral, confessou, depois de tomar posse no início de janeiro de 2009, que nunca havia usado o site. Na época do anúncio, Obama tinha o perfil com mais seguidores do mundo; hoje ele é o quarto, com 3 milhões de followers.
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